terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ao Albert com Carinho


Ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa para qualquer um; tem que ter a flexibilidade do corpo e da mente trabalhando lado a lado o tempo todo, o olhar deve ser submisso e as atitudes devem ser moderadas. Pôr a mão no bolso pra sacar o documento que, supostamente deveria ser a identificação de cidadania, nem pensar, tentar comprar um colchão num dos maiores comerciantes do Brasil então... Nossa Senhora, é pedir pra morrer. Alberto era assim; preto, pobre, favelado e morava no Parque Santo Antônio. Era um menino de coração nobre, cresceu no meio da malandragem como tantas outras crianças, porém, nunca se envolveu, exceto quando era para aconselhar os manos para saírem daquela vida louca.
Embora tenha estudado muito, nunca parou para pensar em fazer um curso superior, dizia saber a importância do estudo, mas, para o que almejava na vida a Faculdade era dispensável, queria ser vendedor, ter sua própria loja e vivia dizendo que o mundo o conheceria, mas foi de uma forma triste... Quando as atitudes daquele homem covarde, que atirou contra o Alberto, foram questionadas, a resposta daquele que deveria servir seus cliente foi; a segurança é terceirizada. Agora, imaginem se um civil jogasse uma bomba naquele estabelecimento! Ele poderia alegar que a bomba também era terceirizada?
Alberto estava feliz em poder fazer um crediário e comprar um colchão, já que o que possuía estava velho demais, entretanto, não pôde levá-lo para casa, pois, a mão assassina e a mente incapaz de raciocinar, apertaram em cumplicidade, o gatilho vil que abreviou a vida daquele que somente queria comprar. Alberto caiu segurando, vitorioso, graças ao suor do seu rosto, a nota fiscal. Alberto não mais poderá ver seu sonho realizado, não poderá ver seu filho saltitar feliz em cima do colchão novo. No próximo mês a fatura chegará à sua mulher e se ela não pagar terá o seu nome inserido ao SPC e uma mulher chata ficará ligando todos os dias lhe cobrando a divida. A má capacitação e a desconfiança do segurança rondavam o menino que não ostentava no corpo uma grife de roupa famosa.
Talvez se Alberto estivesse com um terno “Ricardo Almeida”, seria carregado nos braços até a sobre-loja, seria bem recebido e até café lhe serviriam, mas, infelizmente, ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa fácil para qualquer um.

7 comentários:

Marcos Lopes (Nene) disse...

Que Deus o guarde em um bom lugar, Meu amigo, porque aqui, neste mundo-cão em que vivemos, guardaremos os seus risos em nossos corações. Beijokas de saudades do

Nene

Anônimo disse...

nossaaaaaa..como sempre vc nos surpreendendo com esses contos, ainda mais esse sendo tão real e infelizmente verdadeiro..vivemos numa sociedade hipócrita e fecha os olhos e vira as costa em meio a tanta violencia..mas ainda acredito na justiça divina..pq ela tarda..mas nunca falha..te admiro muito por dedicar um espaço aqui p falar sobre essa pessoa..q muitos ñ conheceram..mas podemos sentir um pouquinho da dor q vc´s proximo dele sentiram....bjus..da sua fã nº 0

Anônimo disse...

marcos, parabéns pelos textos que vc escreve, acredito na sua estória de vida e creio que todos deveriam ser como vc; otimista, guerreiro. sempre vou ler seus contos. Falando nisso, vc não tem mais nehum aí não. Abraços joel

Edinho disse...

Parabéns pelos seus contos moleque, este aí então, embora tenha sido real, ficou show de bola

Rick disse...

Obrigado,
pelo texto e fotos de um irmão.
Meu nome é CARLOS HENRIQUE DE LIMA, e na casa do zezinho era conhecido como Cidão, eu entrei na casa em 2000, tive a oportunidade de conhecer o Juninho melhor, um lado mais solidario do que eu ja conhecia.
Juninho e Eu, crescemos juntos, brincando, brigando tambem, pois nem sempre dois amigos pensam da mesma forma, mas estávamos sempre alí... Eu me mudei, e recente mente voltei a morar onde eu morava. e um dia antes estavamos em frente a casa dele, conversando e brincando...

E 24 horas depois recebi a noticia, fiquei muito mau essa semana, ainda não da pra acreditar que vai chegar o fim de semana, e não poderei vê-lo. Não consegui vê-lo no seu enterro. Desde segunda feira que nao durmo bem. E quando eu ja estava comecando a me acostumar, uma outra pessoa morre, minha tia de consideracão, que não tem nada haver, mas que ja faz com que a gente lembre dele.

Justica do homem ou de Deus, nesse momento não vem ao caso, só que seja feita a justica.

Os policiais disseram que o assassino era um bom homem.
E as pessoas da cohab disseram que ele era malucão.
se tiver que matar, ele mata sem dó.

Bom que meu amigo descanse em paz, que ele esteja sentado do lado do Senhor todo poderoso.

Juninho esteja onde estiver, fique em paz, aqui na terra sua familia não ficara desamparada.
Novamente, muito obrigado por tudo o que voc^s estão fazendo ...
Rick

Anônimo disse...

Salve, salve Nene...
Vc sabe que eu adoro seus contos, gosto quando vc escreve e gosto quando vc me ensina, eu aprendi muito com vc...

Oque me deixa triste, é saber que esse ñ é só um conto, e sim, uma história real de um amigo... Alberto era um bricalhão, uma pessoa que fez muita gente chorar de rir, com as brincadeiras, com as palhaçadas, com as piadas...e hoje faz muita agente chorar de saudades...
saudades de quando Ele colocava apelido nas pessoas, de quando Ele conseguia tirar da pessoa mais séria, um sorriso enorme, saudades de quando estudavamos na Casa Do Zezinho, saudades de todos os seus atos...
Alberto, onde vc estiver, quero que esteja con a mesma alegria que tinha de quando estava junto à nós... abraços...

À vc Marcos Lopes Nene...rsrs...Desejo toda sorte do mundo e que vc realize todos os seus sonhos...

Abraços e Beijokas do


Feijão...

Sandra disse...

É...pena esse não ser apenas um conto, mas sim um conto verdadeiro e muito triste. Essa é a realidade, a discriminação existe sim, e isto é fato.

Bjaummm

Sandra

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ao Albert com Carinho


Ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa para qualquer um; tem que ter a flexibilidade do corpo e da mente trabalhando lado a lado o tempo todo, o olhar deve ser submisso e as atitudes devem ser moderadas. Pôr a mão no bolso pra sacar o documento que, supostamente deveria ser a identificação de cidadania, nem pensar, tentar comprar um colchão num dos maiores comerciantes do Brasil então... Nossa Senhora, é pedir pra morrer. Alberto era assim; preto, pobre, favelado e morava no Parque Santo Antônio. Era um menino de coração nobre, cresceu no meio da malandragem como tantas outras crianças, porém, nunca se envolveu, exceto quando era para aconselhar os manos para saírem daquela vida louca.
Embora tenha estudado muito, nunca parou para pensar em fazer um curso superior, dizia saber a importância do estudo, mas, para o que almejava na vida a Faculdade era dispensável, queria ser vendedor, ter sua própria loja e vivia dizendo que o mundo o conheceria, mas foi de uma forma triste... Quando as atitudes daquele homem covarde, que atirou contra o Alberto, foram questionadas, a resposta daquele que deveria servir seus cliente foi; a segurança é terceirizada. Agora, imaginem se um civil jogasse uma bomba naquele estabelecimento! Ele poderia alegar que a bomba também era terceirizada?
Alberto estava feliz em poder fazer um crediário e comprar um colchão, já que o que possuía estava velho demais, entretanto, não pôde levá-lo para casa, pois, a mão assassina e a mente incapaz de raciocinar, apertaram em cumplicidade, o gatilho vil que abreviou a vida daquele que somente queria comprar. Alberto caiu segurando, vitorioso, graças ao suor do seu rosto, a nota fiscal. Alberto não mais poderá ver seu sonho realizado, não poderá ver seu filho saltitar feliz em cima do colchão novo. No próximo mês a fatura chegará à sua mulher e se ela não pagar terá o seu nome inserido ao SPC e uma mulher chata ficará ligando todos os dias lhe cobrando a divida. A má capacitação e a desconfiança do segurança rondavam o menino que não ostentava no corpo uma grife de roupa famosa.
Talvez se Alberto estivesse com um terno “Ricardo Almeida”, seria carregado nos braços até a sobre-loja, seria bem recebido e até café lhe serviriam, mas, infelizmente, ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa fácil para qualquer um.

7 comentários:

Marcos Lopes (Nene) disse...

Que Deus o guarde em um bom lugar, Meu amigo, porque aqui, neste mundo-cão em que vivemos, guardaremos os seus risos em nossos corações. Beijokas de saudades do

Nene

Anônimo disse...

nossaaaaaa..como sempre vc nos surpreendendo com esses contos, ainda mais esse sendo tão real e infelizmente verdadeiro..vivemos numa sociedade hipócrita e fecha os olhos e vira as costa em meio a tanta violencia..mas ainda acredito na justiça divina..pq ela tarda..mas nunca falha..te admiro muito por dedicar um espaço aqui p falar sobre essa pessoa..q muitos ñ conheceram..mas podemos sentir um pouquinho da dor q vc´s proximo dele sentiram....bjus..da sua fã nº 0

Anônimo disse...

marcos, parabéns pelos textos que vc escreve, acredito na sua estória de vida e creio que todos deveriam ser como vc; otimista, guerreiro. sempre vou ler seus contos. Falando nisso, vc não tem mais nehum aí não. Abraços joel

Edinho disse...

Parabéns pelos seus contos moleque, este aí então, embora tenha sido real, ficou show de bola

Rick disse...

Obrigado,
pelo texto e fotos de um irmão.
Meu nome é CARLOS HENRIQUE DE LIMA, e na casa do zezinho era conhecido como Cidão, eu entrei na casa em 2000, tive a oportunidade de conhecer o Juninho melhor, um lado mais solidario do que eu ja conhecia.
Juninho e Eu, crescemos juntos, brincando, brigando tambem, pois nem sempre dois amigos pensam da mesma forma, mas estávamos sempre alí... Eu me mudei, e recente mente voltei a morar onde eu morava. e um dia antes estavamos em frente a casa dele, conversando e brincando...

E 24 horas depois recebi a noticia, fiquei muito mau essa semana, ainda não da pra acreditar que vai chegar o fim de semana, e não poderei vê-lo. Não consegui vê-lo no seu enterro. Desde segunda feira que nao durmo bem. E quando eu ja estava comecando a me acostumar, uma outra pessoa morre, minha tia de consideracão, que não tem nada haver, mas que ja faz com que a gente lembre dele.

Justica do homem ou de Deus, nesse momento não vem ao caso, só que seja feita a justica.

Os policiais disseram que o assassino era um bom homem.
E as pessoas da cohab disseram que ele era malucão.
se tiver que matar, ele mata sem dó.

Bom que meu amigo descanse em paz, que ele esteja sentado do lado do Senhor todo poderoso.

Juninho esteja onde estiver, fique em paz, aqui na terra sua familia não ficara desamparada.
Novamente, muito obrigado por tudo o que voc^s estão fazendo ...
Rick

Anônimo disse...

Salve, salve Nene...
Vc sabe que eu adoro seus contos, gosto quando vc escreve e gosto quando vc me ensina, eu aprendi muito com vc...

Oque me deixa triste, é saber que esse ñ é só um conto, e sim, uma história real de um amigo... Alberto era um bricalhão, uma pessoa que fez muita gente chorar de rir, com as brincadeiras, com as palhaçadas, com as piadas...e hoje faz muita agente chorar de saudades...
saudades de quando Ele colocava apelido nas pessoas, de quando Ele conseguia tirar da pessoa mais séria, um sorriso enorme, saudades de quando estudavamos na Casa Do Zezinho, saudades de todos os seus atos...
Alberto, onde vc estiver, quero que esteja con a mesma alegria que tinha de quando estava junto à nós... abraços...

À vc Marcos Lopes Nene...rsrs...Desejo toda sorte do mundo e que vc realize todos os seus sonhos...

Abraços e Beijokas do


Feijão...

Sandra disse...

É...pena esse não ser apenas um conto, mas sim um conto verdadeiro e muito triste. Essa é a realidade, a discriminação existe sim, e isto é fato.

Bjaummm

Sandra