quarta-feira, 16 de junho de 2010

Hierarquia Hierarquica

Hierarquia sucessiva sucede aos operários modernos como a caneta à
pena e, enquanto o Capitão Gancho tenta esconder um às na manga
deficiente, Freud arrisca analisá-lo o mais distante possível, mas,
Peter Pan percebeu o manuseio inadequado da carta e, encorajado por
Cininho, sua principal testemunha, acusou o Capitão de trapaça. As
cartas podem ser embaralhadas novamente; “Embaralha o baralho
caralho”, entretanto, os meninos perdidos já estavam noutra mesa
jogando dominó. Próxima rodada!.
Hierarquia hierárquica fascina o homem desde os tempos mais remotos, e
como o capitão é o mais velho dentre os velhos, ele tem o direito de
escolher que jogo jogarão, truco, pife ou buraco? Wendy avisa o
aleijado que Hitler joga noutro time agora e Hamas tem como aliado os
samurais dos EUA que jogam ping-pong co m o lobo da Sibéria.

Piauí... Piauí...Piauí... Vai sair o trem com destino a Teresina todos
a bordo, exceto quem está com cocaína. Fidel Castro, Obama, Chaves,
kiko, Evo Morales e todo o resto da relé, tem lugar pra todo mundo mas
quem não manda vai a pé , vai de pé, como qué.
Hierarquia vai guiando o trem desgovernado levando todos os líderes à
loucura excessiva do poder desnecessário de governar o ingovernável;
vidas, almas, paixões, amores, dores, lágrimas e ódios se misturam na
fumaça da locomotiva controlada por ninguém, afinal, quem muito manda
nada faz.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Marcos Lopes, o Nenê, sempre gostou de estudar. Ainda assim, não escapou de se envolver na vida do crime. Um caminho tentador no mundo castigado do Parque Santo Antônio, Zona Sul de São Paulo. Depois da separação dos pais, foi morar no Rio de Janeiro, onde começou a se envolver com o tráfico. De volta às origens, com aproximadamente 16 anos já era gerente de uma boca em de fumo e apesar das regalias do cargo, já tinha também muitos inimigos. Contudo, os amigos de verdade também continuaram sempre à sua volta, aconselhando Nenê a largar o que estava longe de poder ter um final feliz. E foi justamente depois de perder a melhor amiga, que o sonho de ser escritor, abafado pela vida que estava levando, começou a falar mais alto e conseguiu encerrar sua participação no crime estudar e começou a lecionar na escola da qual fora expulso em outros tempos. Hoje, Marcos é escritor e lançou o livro “Zona de Guerra”, no qual retrata a realidade em que cresceu. Formado em Letras, além de professor, é também educador social e referência para meninos e meninas. Trabalha no Instituto Rukha ajudando restaurar a autonomia de famílias que tiveram seus filhos expostos ao trabalho infantil.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Hipocrisia


Na opinião da professora Joana D´Arc, eu fui indecente e Imoral, pois, fui expulso da escola aos 15 anos de idade, roubei e cheguei a gerenciar uma boca de fumo. Aos dezesseis anos troquei a caneta por uma pistola 380 e até os 20 não tinha ainda pegado uma obra literária para ler. Mais, foi depois que li o "Capão Pecado" que a minha vida se transformou; Comecei a frequentar bibliotecas, a Mário de Andrade e a da Casa do Zezinho foram uma delas, onde conheci obras de Machado de Assis, Eça de Queiróz, Fernando Pessoa, Marcelo Rubens Paiva, José Saramago, Lobo Antunes, Walt Witman e muitos outros. Larguei a Criminalidade, as drogas e voltei a estudar, entrei para a Faculdade e lecionei durante três anos no colégio do qual fui expulso. Identifiquei-me tanto com a obra que a trabalhei com alguns alunos, que assim como eu, também nunca tinham pegado um livro para ler. Será que os meus alunos e eu nos identificaríamos caso não houvesse gírias, se não houvesse e os palavrões que há muito se incorporaram em Nossa Língua Portuguesa Informal? O cinema Nacional, por exemplo, são pouco os filmes que não tenham palavras "chulas" o que vocês acharam de Cidade de Deus e o Filme Tropa de Elite que foram reconhecidos internacionalmente? Será que nossos filhos deixaram de ir ao cinema por causa dos palavrões? Será que eles chegaram em casa proferindo-os? Acredito que não, senhores. Acredito que não são os palavrões proferidos da boca de uma mera personagem que influenciará na educação dos nossos filhos, mas sim o que eles assistem na tevê, as "asneiras" que eles ouvem no rádio e além de tudo, a dinâmica familiar que ela participa dentro de casa diariamente. Um professor disse que, se o aluno for à biblioteca, ele terá a opção ou não de ler esta obra. Ora, sabemos que não é esta a realidade, e que muito raramente vemos jovens de 15 anos frequentarem a Biblioteca. Segundo a empresa de consultoria NOP WORLD, consultada no site bbcbrasil.com entre 30 nações pesquisadas o Brasil é o 27º do ranking em leitura com a média de 5,2 horas. Pensando que a Índia ficou em 1º lugar com 10,7 horas de leitura. Será que estamos falando do mesmo Brasil, professor? Para algumas pessoas do Estado de MG o material - Capão Pecado - pode ter chegado atrasado, mas, para mim, chegou na hora certa, pois resgatei meu sonho e escrevi um livro que se chama Zona de Guerra. Acredito, caros amigos, que se os nossos filhos chegarem a nos desconfortar por causa de um palavrão, é porque a educação que eles estão recebendo dentro de casa não está sendo eficiente. Eu tenho uma sugestão; o que acha, professor, de acabarmos com as obras do escritor Jorge Amado, com as Letras de Chico Buarque, com o Cinema Brasileiro, com algumas novelas brasileiras - cenas de sexo - e proibir o Roberto Carlos de cantar " e que tudo mais vá pro inferno"? Viva a Ditadura!!!!!!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Efemeridade


Queria eu poder dobrar, o espinho de seda no lombo do homem
Tu és Vampiro ou Lobisomem? De que lado tu estás?
Seja deste lado da ponte ou seja do lado de lá
Acenda uma vela branca e reze pra Oxalá
Porque quando o sol nascer agradeça por vivo estar
Porque a vida é passageira seja de qualquer
Maneira, seja forte e vem lutar!
Um grande não é pequeno e jamais
Poderá ser, pois para vencer na vida, basta
Só você querer
A fama não vale nada só inveja vem causar
Os amigos te derrubam para se alevantar
Se eu tivesse um pedido, para fazer pra Deus
Eu juro que eu pedia pra olhar pros filhos Seus
Amanhã é outro dia e eu quero agradecer
Pela vida que eu levo porque
Hoje eu vou vencer.

Marcos Lopes

terça-feira, 16 de junho de 2009


Marcos Lopes é a própria tradução da palavra superação. Vivia numa zona de guerra, a Zona Sul de São Paulo. Foi expulso da escola, avacalhado pela própria professora. Desceu ao fundo do poço, encontrou uma chance para sair de lá e o resultado está aí. segunda, as 19h, na Casa do Saber, no Jardim Europa paulistano, lançou o livro "Zona de Guerrra". Todos nós temos muito a aprender com a história dele, com quem tenho a alegria de conviver em eventos na Casa do Zezinho, onde hoje é colaborador. Estarei lá para pegar o autógrafo do cara. PS: Hoje, Marcos é colega de trabalho da professora que o desenganou para a vida. É professor na mesma escola que o havia rejeitado. Ao contrário de tantos outros que não suportaram a pressão e o descaso, contra tudo e contra todos, Lopes deu a volta por cima

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ironia da Paixão

À Bruna do Carmo, minha amiga.

Mais um dia de segunda-feira, o relógio despertou cedo era hora de ir para o trabalho, levantei-me da cama com uma ressaca danada; Domingo enchi a cara com os meus colegas, pois, fomos ao casamento de um amigo de infância. Fui para o banheiro e tomei um banho gostoso, estava animado, mas, não sabia o motivo de tanta animação, afinal, teria que trabalhar. Naquela manhã eu cantei, dancei, gritei, pulei, realmente estranhei meu comportamento. Tudo bem. Penteei os cabelos como nunca havia penteado, até uma fragrância francesa que nunca havia usado antes eu usei e coloquei minha melhor grava, sentei-me para o café da manhã, minha mãe também estranhou meu comportamento e chegou a perguntar se eu havia usado algum tipo de drogas na noite anterior, eu dei risada sozinho, então parei. Fiquei sem graça de repente e logo em seguida uma felicidade inexplicável tomou conta de mim, levantei-me da cadeira, peguei minha pasta, dei um beijo duradouro em minha mãe e sai correndo para o trabalho.
É... Naquele dia eu estava realmente estranho porque ainda era sete horas da manhã e eu entrava as nove no serviço, gastava apenas trinta minutos da minha casa ao escritório. Parei no ponto de ônibus, cumprimentei todos que estavam ali e, logo veio meu ônibus, estava cheio e só restavam dois assento que certamente foram reservados para mim e minha pasta. Sentei-me. Logo o ônibus fizera uma parada, ah! Nunca mais esqueci aquela parada.
Uma bela garota de olhos claros, cabelos longos e loiros, entrara no coletivo, em toda a minha vida eu nunca havia visto alguém tão belo. Meus olhos, inexplicávelmente, fixaram-se naquela escultura humana. Havia um assento ao meu lado e rapidamente tirei a pasta e foi justamente nele que ela sentou, não trocamos uma só palavra, mas, foi inevitável que ficássemos nos olhando. Não acreditei que aquela garota estava olhando pra mim. E assim foi durante algumas semanas...

Sempre pegávamos o mesmo ônibus, sentávamos no mesmo banco, mas, descíamos em pontos diferentes e nunca trocamos uma só palavra. Eu sempre levava o número do meu telefone no bolso da camisa, mas, nunca tive coragem de lhe entregar, depois daquela manhã inesquecível meu desempenho no trabalho melhorou, passei a andar mais elegante, vivia sorrindo por qualquer coisa, eu estava apaixonado...
Não sei o por quê, mas, as garotas do meu trabalho passaram a me olhar diferente, me convidavam para coquetéis, festas, até convite para almoçar em suas casas eu recebia. Passei a odiar sábados domingo, e feriados.
Ah! Que maravilha foi aquele tempo. Eu não esquecia aquela garota um só minuto, pensava a todo instante naquele rostinho lindo e meigo, aquele perfume que muitas vezes me levara ao céu e, quando percebia que nunca poderia tê-la, este mesmo cheiro trazia-me o gosto amargo da realidade opressora, aquela roupa social que ela usava, aquele maravilhoso cabelo que o vento soprava em minha face... Que loucura!
Num belo dia chuvoso, eu bem vestido, como sempre, naquele assento frio do ônibus, com os cabelos bem penteados, o motorista fez uma de suas paradas, era a parada que eu mais gostava, lá vinha ela; com um rebolado sensacional, seus tamancos faziam um som no assoalho do ônibus que parecia acompanhar a batida do meu coração. Ao sentar-se ao meu lado a bolsa dela caiu e eu, rápido e preciso, baixei-me para pegá-la, ao entregar-lhe recebi um belo sorriso de gratidão, aquilo foi demais, eu também arreganhei um belo sorriso e ficamos nos olhando, cheguei a descer um ponto depois do que eu costumava descer só para contemplar um pouco mais a sua beleza.
No dia seguinte ela entrou e sorriu pra mim, meu coração galopou em meu peito, estufei-o e disse:
- Bom dia!
- Bom dia – respondeu ela muito sorridente.
Ai meu Deus! Aquele foi o “bom dia” mais gostoso que eu ouvi em toda minha vida, timidamente puxei conversa, ela muito tímida respondia somente o necessário, perguntei tudo que queria saber ao seu respeito, o melhor de tudo era que ela não tinha namorado, eu era o homem mais feliz do mundo, seria capaz de trocar tudo que conquistei ao longo dos anos por um beijo, ou até mesmo por um simples abraço, mas, tinha que me contentar apenas com a sua presença que, pra mim, já era o suficiente, mas, o suficiente não é e nunca será o bastante. Comentei com minha mãe e ela ficou super feliz por mim. Um certo dia eu resolvi esperar o ônibus até mais tarde para ver se conseguia voltar para casa com ela, mas, foi lamentável, esperei até às vinte horas e nada, fui para casa de táxi.
Numa sexta-feira anotei o número do meu telefone e estava disposto entregar poém, mais uma vez acabei não entregando, ela como sempre, toda simpática me deu um “bom dia” e, em seguida, perguntou o meu nome, eu respondi gaguejando, ela disse o seu sorrindo, criei coragem e pedi o seu telefone, ela fez uma carinha dócil, pôs suas mãos delicadas dentro da bolsa e me entregou um desses cartões de visitas, nossa! Que alegria eu senti naquele momento.
Noutro dia eu ligaria, mas, não sabia o que dizer, fiquei treinando, passei horas e horas andando pra lá e pra cá pensando o que dizer. Diria que estava apaixonado? Não, senão pensaria que estava mentindo, talvez pensaria que se eu estivesse realmente apaixonado já teria dito há muito tempo, deixei para ligar no outro dia e acabei não ligando também, resolvi que iria convidá-la para almoçar, ou quem sabe pegar um cinema, mas, não por telefone queria que ela soubesse o que eu estava sentindo olhando em seus olhos.
Na segunda-feira enchi o peito de coragem e decide que quando ela entrasse no ônibus e se sentasse eu diria tudo a ela, porém, naquele dia o motorista não parou onde ela costumava estar. Havia mais de meses que pegávamos ônibus juntos e ela nunca deu o cano no trabalho, aquele dia não foi tão legal fiquei pensando nela o dia inteiro. Cheguei em casa, corri para o meu quarto, peguei o telefone e liguei para sua casa:
- Alô!
- Quem ta falando –perguntou uma voz tristonha.
- É o Julio, poderia falar com a Paula, por favor?
- Você é o Julio que sempre pega o ônibus com ela –perguntou-me surpresa.
- Sim, senhora, ela está?
A senhora do outro lado da linha calou-se por alguns instantes e, engolindo a seco me disse:
- Julio, minha filha falou muito bem de você, disse-me que é um rapaz bonito, educado e que havia conquistado seu coração, me contou também que estava apaixonada por ti.
- Eu também estou apaixonado por ela –repliquei todo contente –e onde ela está, será que posso falar com ela?
- Não!
- Não, mas, por quê?
- Ela nos deixou... foi para um mundo melhor, sabe, Julio, talvez se você tivesse ligado antes e a convidado para ir ao cinema, ou quem sabe para jantarem juntos, ela não teria saído com as amigas e aquela bala perdida jamais teria atingido a minha filha...
Eu me desesperei. Senti-me culpado. Realmente não sabia o que fazer, não sabia se desligava o telefone ou se consolava a pobre senhora, mas ela com muita experiência de vida me propôs uma coisa que me tirou daquela saia justa:
- Filho, não se culpe pelo que aconteceu e vá se deitar porque eu já me conformei!
Em seguida desligou o telefone sem me dar direito de respostas, mas, também o que eu poderia dizer se também estava arrasado?

Mesmo com o passar do tempo eu não a esqueci, aonde vou penso naquele rostinho lindo, aquele sorriso iluminado, aquele perfume que nunca mais senti o cheiro. Hoje carrego nossos pequenos instantes juntos em meus pensamentos, porque o meu maior sofrimento é tentar fazer a cabeça esquecer aquilo que meu coração lembra a todo instantes...

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Marcos Lopes

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quero-te


Ao Feijão e à Renata; Que o Amor esteja sempre no coração de vocês.
Quero-te mais que tudo nesta vida... Desde que eu soube da tua existência, desde o primeiro Instante que vi seus olhos chamejarem alegria sob os meus, me apaixonei. Soube De imediato que tu serias o anjo que entraria em minha vida e transformaria Minha agonia em êxtase supremo. Quero que tu fiques ao meu lado mesmo Quando estivermos longe um do outro, mesmo que os dias sejam difíceis, Mesmo que não possamos nos ver todos os dias. Desejo que fiquemos juntos!

Quero que tu sejas o sol que alegra minhas manhãs solitárias, que tu sejas a Fonte de minha vitalidade e que sejas o porto seguro de minhas esperanças quando eu não tiver mais em nada.
Quero que o tempo passe, descomedidamente, depressa quando nossos corações estiverem distantes, para que quando nossas mãos se acharem no acaso da vida, juntinhos, possamos tocar as estrelas com o laço da felicidade que Unem nossas almas.
Quero tudo na vida, porém, quando a serenidade do teu olhar penetrar minha alma errante, apenas te quero.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ao Albert com Carinho


Ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa para qualquer um; tem que ter a flexibilidade do corpo e da mente trabalhando lado a lado o tempo todo, o olhar deve ser submisso e as atitudes devem ser moderadas. Pôr a mão no bolso pra sacar o documento que, supostamente deveria ser a identificação de cidadania, nem pensar, tentar comprar um colchão num dos maiores comerciantes do Brasil então... Nossa Senhora, é pedir pra morrer. Alberto era assim; preto, pobre, favelado e morava no Parque Santo Antônio. Era um menino de coração nobre, cresceu no meio da malandragem como tantas outras crianças, porém, nunca se envolveu, exceto quando era para aconselhar os manos para saírem daquela vida louca.
Embora tenha estudado muito, nunca parou para pensar em fazer um curso superior, dizia saber a importância do estudo, mas, para o que almejava na vida a Faculdade era dispensável, queria ser vendedor, ter sua própria loja e vivia dizendo que o mundo o conheceria, mas foi de uma forma triste... Quando as atitudes daquele homem covarde, que atirou contra o Alberto, foram questionadas, a resposta daquele que deveria servir seus cliente foi; a segurança é terceirizada. Agora, imaginem se um civil jogasse uma bomba naquele estabelecimento! Ele poderia alegar que a bomba também era terceirizada?
Alberto estava feliz em poder fazer um crediário e comprar um colchão, já que o que possuía estava velho demais, entretanto, não pôde levá-lo para casa, pois, a mão assassina e a mente incapaz de raciocinar, apertaram em cumplicidade, o gatilho vil que abreviou a vida daquele que somente queria comprar. Alberto caiu segurando, vitorioso, graças ao suor do seu rosto, a nota fiscal. Alberto não mais poderá ver seu sonho realizado, não poderá ver seu filho saltitar feliz em cima do colchão novo. No próximo mês a fatura chegará à sua mulher e se ela não pagar terá o seu nome inserido ao SPC e uma mulher chata ficará ligando todos os dias lhe cobrando a divida. A má capacitação e a desconfiança do segurança rondavam o menino que não ostentava no corpo uma grife de roupa famosa.
Talvez se Alberto estivesse com um terno “Ricardo Almeida”, seria carregado nos braços até a sobre-loja, seria bem recebido e até café lhe serviriam, mas, infelizmente, ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa fácil para qualquer um.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Hierarquia Hierarquica

Hierarquia sucessiva sucede aos operários modernos como a caneta à
pena e, enquanto o Capitão Gancho tenta esconder um às na manga
deficiente, Freud arrisca analisá-lo o mais distante possível, mas,
Peter Pan percebeu o manuseio inadequado da carta e, encorajado por
Cininho, sua principal testemunha, acusou o Capitão de trapaça. As
cartas podem ser embaralhadas novamente; “Embaralha o baralho
caralho”, entretanto, os meninos perdidos já estavam noutra mesa
jogando dominó. Próxima rodada!.
Hierarquia hierárquica fascina o homem desde os tempos mais remotos, e
como o capitão é o mais velho dentre os velhos, ele tem o direito de
escolher que jogo jogarão, truco, pife ou buraco? Wendy avisa o
aleijado que Hitler joga noutro time agora e Hamas tem como aliado os
samurais dos EUA que jogam ping-pong co m o lobo da Sibéria.

Piauí... Piauí...Piauí... Vai sair o trem com destino a Teresina todos
a bordo, exceto quem está com cocaína. Fidel Castro, Obama, Chaves,
kiko, Evo Morales e todo o resto da relé, tem lugar pra todo mundo mas
quem não manda vai a pé , vai de pé, como qué.
Hierarquia vai guiando o trem desgovernado levando todos os líderes à
loucura excessiva do poder desnecessário de governar o ingovernável;
vidas, almas, paixões, amores, dores, lágrimas e ódios se misturam na
fumaça da locomotiva controlada por ninguém, afinal, quem muito manda
nada faz.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Marcos Lopes, o Nenê, sempre gostou de estudar. Ainda assim, não escapou de se envolver na vida do crime. Um caminho tentador no mundo castigado do Parque Santo Antônio, Zona Sul de São Paulo. Depois da separação dos pais, foi morar no Rio de Janeiro, onde começou a se envolver com o tráfico. De volta às origens, com aproximadamente 16 anos já era gerente de uma boca em de fumo e apesar das regalias do cargo, já tinha também muitos inimigos. Contudo, os amigos de verdade também continuaram sempre à sua volta, aconselhando Nenê a largar o que estava longe de poder ter um final feliz. E foi justamente depois de perder a melhor amiga, que o sonho de ser escritor, abafado pela vida que estava levando, começou a falar mais alto e conseguiu encerrar sua participação no crime estudar e começou a lecionar na escola da qual fora expulso em outros tempos. Hoje, Marcos é escritor e lançou o livro “Zona de Guerra”, no qual retrata a realidade em que cresceu. Formado em Letras, além de professor, é também educador social e referência para meninos e meninas. Trabalha no Instituto Rukha ajudando restaurar a autonomia de famílias que tiveram seus filhos expostos ao trabalho infantil.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Hipocrisia


Na opinião da professora Joana D´Arc, eu fui indecente e Imoral, pois, fui expulso da escola aos 15 anos de idade, roubei e cheguei a gerenciar uma boca de fumo. Aos dezesseis anos troquei a caneta por uma pistola 380 e até os 20 não tinha ainda pegado uma obra literária para ler. Mais, foi depois que li o "Capão Pecado" que a minha vida se transformou; Comecei a frequentar bibliotecas, a Mário de Andrade e a da Casa do Zezinho foram uma delas, onde conheci obras de Machado de Assis, Eça de Queiróz, Fernando Pessoa, Marcelo Rubens Paiva, José Saramago, Lobo Antunes, Walt Witman e muitos outros. Larguei a Criminalidade, as drogas e voltei a estudar, entrei para a Faculdade e lecionei durante três anos no colégio do qual fui expulso. Identifiquei-me tanto com a obra que a trabalhei com alguns alunos, que assim como eu, também nunca tinham pegado um livro para ler. Será que os meus alunos e eu nos identificaríamos caso não houvesse gírias, se não houvesse e os palavrões que há muito se incorporaram em Nossa Língua Portuguesa Informal? O cinema Nacional, por exemplo, são pouco os filmes que não tenham palavras "chulas" o que vocês acharam de Cidade de Deus e o Filme Tropa de Elite que foram reconhecidos internacionalmente? Será que nossos filhos deixaram de ir ao cinema por causa dos palavrões? Será que eles chegaram em casa proferindo-os? Acredito que não, senhores. Acredito que não são os palavrões proferidos da boca de uma mera personagem que influenciará na educação dos nossos filhos, mas sim o que eles assistem na tevê, as "asneiras" que eles ouvem no rádio e além de tudo, a dinâmica familiar que ela participa dentro de casa diariamente. Um professor disse que, se o aluno for à biblioteca, ele terá a opção ou não de ler esta obra. Ora, sabemos que não é esta a realidade, e que muito raramente vemos jovens de 15 anos frequentarem a Biblioteca. Segundo a empresa de consultoria NOP WORLD, consultada no site bbcbrasil.com entre 30 nações pesquisadas o Brasil é o 27º do ranking em leitura com a média de 5,2 horas. Pensando que a Índia ficou em 1º lugar com 10,7 horas de leitura. Será que estamos falando do mesmo Brasil, professor? Para algumas pessoas do Estado de MG o material - Capão Pecado - pode ter chegado atrasado, mas, para mim, chegou na hora certa, pois resgatei meu sonho e escrevi um livro que se chama Zona de Guerra. Acredito, caros amigos, que se os nossos filhos chegarem a nos desconfortar por causa de um palavrão, é porque a educação que eles estão recebendo dentro de casa não está sendo eficiente. Eu tenho uma sugestão; o que acha, professor, de acabarmos com as obras do escritor Jorge Amado, com as Letras de Chico Buarque, com o Cinema Brasileiro, com algumas novelas brasileiras - cenas de sexo - e proibir o Roberto Carlos de cantar " e que tudo mais vá pro inferno"? Viva a Ditadura!!!!!!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Efemeridade


Queria eu poder dobrar, o espinho de seda no lombo do homem
Tu és Vampiro ou Lobisomem? De que lado tu estás?
Seja deste lado da ponte ou seja do lado de lá
Acenda uma vela branca e reze pra Oxalá
Porque quando o sol nascer agradeça por vivo estar
Porque a vida é passageira seja de qualquer
Maneira, seja forte e vem lutar!
Um grande não é pequeno e jamais
Poderá ser, pois para vencer na vida, basta
Só você querer
A fama não vale nada só inveja vem causar
Os amigos te derrubam para se alevantar
Se eu tivesse um pedido, para fazer pra Deus
Eu juro que eu pedia pra olhar pros filhos Seus
Amanhã é outro dia e eu quero agradecer
Pela vida que eu levo porque
Hoje eu vou vencer.

Marcos Lopes

terça-feira, 16 de junho de 2009


Marcos Lopes é a própria tradução da palavra superação. Vivia numa zona de guerra, a Zona Sul de São Paulo. Foi expulso da escola, avacalhado pela própria professora. Desceu ao fundo do poço, encontrou uma chance para sair de lá e o resultado está aí. segunda, as 19h, na Casa do Saber, no Jardim Europa paulistano, lançou o livro "Zona de Guerrra". Todos nós temos muito a aprender com a história dele, com quem tenho a alegria de conviver em eventos na Casa do Zezinho, onde hoje é colaborador. Estarei lá para pegar o autógrafo do cara. PS: Hoje, Marcos é colega de trabalho da professora que o desenganou para a vida. É professor na mesma escola que o havia rejeitado. Ao contrário de tantos outros que não suportaram a pressão e o descaso, contra tudo e contra todos, Lopes deu a volta por cima

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ironia da Paixão

À Bruna do Carmo, minha amiga.

Mais um dia de segunda-feira, o relógio despertou cedo era hora de ir para o trabalho, levantei-me da cama com uma ressaca danada; Domingo enchi a cara com os meus colegas, pois, fomos ao casamento de um amigo de infância. Fui para o banheiro e tomei um banho gostoso, estava animado, mas, não sabia o motivo de tanta animação, afinal, teria que trabalhar. Naquela manhã eu cantei, dancei, gritei, pulei, realmente estranhei meu comportamento. Tudo bem. Penteei os cabelos como nunca havia penteado, até uma fragrância francesa que nunca havia usado antes eu usei e coloquei minha melhor grava, sentei-me para o café da manhã, minha mãe também estranhou meu comportamento e chegou a perguntar se eu havia usado algum tipo de drogas na noite anterior, eu dei risada sozinho, então parei. Fiquei sem graça de repente e logo em seguida uma felicidade inexplicável tomou conta de mim, levantei-me da cadeira, peguei minha pasta, dei um beijo duradouro em minha mãe e sai correndo para o trabalho.
É... Naquele dia eu estava realmente estranho porque ainda era sete horas da manhã e eu entrava as nove no serviço, gastava apenas trinta minutos da minha casa ao escritório. Parei no ponto de ônibus, cumprimentei todos que estavam ali e, logo veio meu ônibus, estava cheio e só restavam dois assento que certamente foram reservados para mim e minha pasta. Sentei-me. Logo o ônibus fizera uma parada, ah! Nunca mais esqueci aquela parada.
Uma bela garota de olhos claros, cabelos longos e loiros, entrara no coletivo, em toda a minha vida eu nunca havia visto alguém tão belo. Meus olhos, inexplicávelmente, fixaram-se naquela escultura humana. Havia um assento ao meu lado e rapidamente tirei a pasta e foi justamente nele que ela sentou, não trocamos uma só palavra, mas, foi inevitável que ficássemos nos olhando. Não acreditei que aquela garota estava olhando pra mim. E assim foi durante algumas semanas...

Sempre pegávamos o mesmo ônibus, sentávamos no mesmo banco, mas, descíamos em pontos diferentes e nunca trocamos uma só palavra. Eu sempre levava o número do meu telefone no bolso da camisa, mas, nunca tive coragem de lhe entregar, depois daquela manhã inesquecível meu desempenho no trabalho melhorou, passei a andar mais elegante, vivia sorrindo por qualquer coisa, eu estava apaixonado...
Não sei o por quê, mas, as garotas do meu trabalho passaram a me olhar diferente, me convidavam para coquetéis, festas, até convite para almoçar em suas casas eu recebia. Passei a odiar sábados domingo, e feriados.
Ah! Que maravilha foi aquele tempo. Eu não esquecia aquela garota um só minuto, pensava a todo instante naquele rostinho lindo e meigo, aquele perfume que muitas vezes me levara ao céu e, quando percebia que nunca poderia tê-la, este mesmo cheiro trazia-me o gosto amargo da realidade opressora, aquela roupa social que ela usava, aquele maravilhoso cabelo que o vento soprava em minha face... Que loucura!
Num belo dia chuvoso, eu bem vestido, como sempre, naquele assento frio do ônibus, com os cabelos bem penteados, o motorista fez uma de suas paradas, era a parada que eu mais gostava, lá vinha ela; com um rebolado sensacional, seus tamancos faziam um som no assoalho do ônibus que parecia acompanhar a batida do meu coração. Ao sentar-se ao meu lado a bolsa dela caiu e eu, rápido e preciso, baixei-me para pegá-la, ao entregar-lhe recebi um belo sorriso de gratidão, aquilo foi demais, eu também arreganhei um belo sorriso e ficamos nos olhando, cheguei a descer um ponto depois do que eu costumava descer só para contemplar um pouco mais a sua beleza.
No dia seguinte ela entrou e sorriu pra mim, meu coração galopou em meu peito, estufei-o e disse:
- Bom dia!
- Bom dia – respondeu ela muito sorridente.
Ai meu Deus! Aquele foi o “bom dia” mais gostoso que eu ouvi em toda minha vida, timidamente puxei conversa, ela muito tímida respondia somente o necessário, perguntei tudo que queria saber ao seu respeito, o melhor de tudo era que ela não tinha namorado, eu era o homem mais feliz do mundo, seria capaz de trocar tudo que conquistei ao longo dos anos por um beijo, ou até mesmo por um simples abraço, mas, tinha que me contentar apenas com a sua presença que, pra mim, já era o suficiente, mas, o suficiente não é e nunca será o bastante. Comentei com minha mãe e ela ficou super feliz por mim. Um certo dia eu resolvi esperar o ônibus até mais tarde para ver se conseguia voltar para casa com ela, mas, foi lamentável, esperei até às vinte horas e nada, fui para casa de táxi.
Numa sexta-feira anotei o número do meu telefone e estava disposto entregar poém, mais uma vez acabei não entregando, ela como sempre, toda simpática me deu um “bom dia” e, em seguida, perguntou o meu nome, eu respondi gaguejando, ela disse o seu sorrindo, criei coragem e pedi o seu telefone, ela fez uma carinha dócil, pôs suas mãos delicadas dentro da bolsa e me entregou um desses cartões de visitas, nossa! Que alegria eu senti naquele momento.
Noutro dia eu ligaria, mas, não sabia o que dizer, fiquei treinando, passei horas e horas andando pra lá e pra cá pensando o que dizer. Diria que estava apaixonado? Não, senão pensaria que estava mentindo, talvez pensaria que se eu estivesse realmente apaixonado já teria dito há muito tempo, deixei para ligar no outro dia e acabei não ligando também, resolvi que iria convidá-la para almoçar, ou quem sabe pegar um cinema, mas, não por telefone queria que ela soubesse o que eu estava sentindo olhando em seus olhos.
Na segunda-feira enchi o peito de coragem e decide que quando ela entrasse no ônibus e se sentasse eu diria tudo a ela, porém, naquele dia o motorista não parou onde ela costumava estar. Havia mais de meses que pegávamos ônibus juntos e ela nunca deu o cano no trabalho, aquele dia não foi tão legal fiquei pensando nela o dia inteiro. Cheguei em casa, corri para o meu quarto, peguei o telefone e liguei para sua casa:
- Alô!
- Quem ta falando –perguntou uma voz tristonha.
- É o Julio, poderia falar com a Paula, por favor?
- Você é o Julio que sempre pega o ônibus com ela –perguntou-me surpresa.
- Sim, senhora, ela está?
A senhora do outro lado da linha calou-se por alguns instantes e, engolindo a seco me disse:
- Julio, minha filha falou muito bem de você, disse-me que é um rapaz bonito, educado e que havia conquistado seu coração, me contou também que estava apaixonada por ti.
- Eu também estou apaixonado por ela –repliquei todo contente –e onde ela está, será que posso falar com ela?
- Não!
- Não, mas, por quê?
- Ela nos deixou... foi para um mundo melhor, sabe, Julio, talvez se você tivesse ligado antes e a convidado para ir ao cinema, ou quem sabe para jantarem juntos, ela não teria saído com as amigas e aquela bala perdida jamais teria atingido a minha filha...
Eu me desesperei. Senti-me culpado. Realmente não sabia o que fazer, não sabia se desligava o telefone ou se consolava a pobre senhora, mas ela com muita experiência de vida me propôs uma coisa que me tirou daquela saia justa:
- Filho, não se culpe pelo que aconteceu e vá se deitar porque eu já me conformei!
Em seguida desligou o telefone sem me dar direito de respostas, mas, também o que eu poderia dizer se também estava arrasado?

Mesmo com o passar do tempo eu não a esqueci, aonde vou penso naquele rostinho lindo, aquele sorriso iluminado, aquele perfume que nunca mais senti o cheiro. Hoje carrego nossos pequenos instantes juntos em meus pensamentos, porque o meu maior sofrimento é tentar fazer a cabeça esquecer aquilo que meu coração lembra a todo instantes...

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Marcos Lopes

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quero-te


Ao Feijão e à Renata; Que o Amor esteja sempre no coração de vocês.
Quero-te mais que tudo nesta vida... Desde que eu soube da tua existência, desde o primeiro Instante que vi seus olhos chamejarem alegria sob os meus, me apaixonei. Soube De imediato que tu serias o anjo que entraria em minha vida e transformaria Minha agonia em êxtase supremo. Quero que tu fiques ao meu lado mesmo Quando estivermos longe um do outro, mesmo que os dias sejam difíceis, Mesmo que não possamos nos ver todos os dias. Desejo que fiquemos juntos!

Quero que tu sejas o sol que alegra minhas manhãs solitárias, que tu sejas a Fonte de minha vitalidade e que sejas o porto seguro de minhas esperanças quando eu não tiver mais em nada.
Quero que o tempo passe, descomedidamente, depressa quando nossos corações estiverem distantes, para que quando nossas mãos se acharem no acaso da vida, juntinhos, possamos tocar as estrelas com o laço da felicidade que Unem nossas almas.
Quero tudo na vida, porém, quando a serenidade do teu olhar penetrar minha alma errante, apenas te quero.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ao Albert com Carinho


Ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa para qualquer um; tem que ter a flexibilidade do corpo e da mente trabalhando lado a lado o tempo todo, o olhar deve ser submisso e as atitudes devem ser moderadas. Pôr a mão no bolso pra sacar o documento que, supostamente deveria ser a identificação de cidadania, nem pensar, tentar comprar um colchão num dos maiores comerciantes do Brasil então... Nossa Senhora, é pedir pra morrer. Alberto era assim; preto, pobre, favelado e morava no Parque Santo Antônio. Era um menino de coração nobre, cresceu no meio da malandragem como tantas outras crianças, porém, nunca se envolveu, exceto quando era para aconselhar os manos para saírem daquela vida louca.
Embora tenha estudado muito, nunca parou para pensar em fazer um curso superior, dizia saber a importância do estudo, mas, para o que almejava na vida a Faculdade era dispensável, queria ser vendedor, ter sua própria loja e vivia dizendo que o mundo o conheceria, mas foi de uma forma triste... Quando as atitudes daquele homem covarde, que atirou contra o Alberto, foram questionadas, a resposta daquele que deveria servir seus cliente foi; a segurança é terceirizada. Agora, imaginem se um civil jogasse uma bomba naquele estabelecimento! Ele poderia alegar que a bomba também era terceirizada?
Alberto estava feliz em poder fazer um crediário e comprar um colchão, já que o que possuía estava velho demais, entretanto, não pôde levá-lo para casa, pois, a mão assassina e a mente incapaz de raciocinar, apertaram em cumplicidade, o gatilho vil que abreviou a vida daquele que somente queria comprar. Alberto caiu segurando, vitorioso, graças ao suor do seu rosto, a nota fiscal. Alberto não mais poderá ver seu sonho realizado, não poderá ver seu filho saltitar feliz em cima do colchão novo. No próximo mês a fatura chegará à sua mulher e se ela não pagar terá o seu nome inserido ao SPC e uma mulher chata ficará ligando todos os dias lhe cobrando a divida. A má capacitação e a desconfiança do segurança rondavam o menino que não ostentava no corpo uma grife de roupa famosa.
Talvez se Alberto estivesse com um terno “Ricardo Almeida”, seria carregado nos braços até a sobre-loja, seria bem recebido e até café lhe serviriam, mas, infelizmente, ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa fácil para qualquer um.