terça-feira, 16 de junho de 2009


Marcos Lopes é a própria tradução da palavra superação. Vivia numa zona de guerra, a Zona Sul de São Paulo. Foi expulso da escola, avacalhado pela própria professora. Desceu ao fundo do poço, encontrou uma chance para sair de lá e o resultado está aí. segunda, as 19h, na Casa do Saber, no Jardim Europa paulistano, lançou o livro "Zona de Guerrra". Todos nós temos muito a aprender com a história dele, com quem tenho a alegria de conviver em eventos na Casa do Zezinho, onde hoje é colaborador. Estarei lá para pegar o autógrafo do cara. PS: Hoje, Marcos é colega de trabalho da professora que o desenganou para a vida. É professor na mesma escola que o havia rejeitado. Ao contrário de tantos outros que não suportaram a pressão e o descaso, contra tudo e contra todos, Lopes deu a volta por cima

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ironia da Paixão

À Bruna do Carmo, minha amiga.

Mais um dia de segunda-feira, o relógio despertou cedo era hora de ir para o trabalho, levantei-me da cama com uma ressaca danada; Domingo enchi a cara com os meus colegas, pois, fomos ao casamento de um amigo de infância. Fui para o banheiro e tomei um banho gostoso, estava animado, mas, não sabia o motivo de tanta animação, afinal, teria que trabalhar. Naquela manhã eu cantei, dancei, gritei, pulei, realmente estranhei meu comportamento. Tudo bem. Penteei os cabelos como nunca havia penteado, até uma fragrância francesa que nunca havia usado antes eu usei e coloquei minha melhor grava, sentei-me para o café da manhã, minha mãe também estranhou meu comportamento e chegou a perguntar se eu havia usado algum tipo de drogas na noite anterior, eu dei risada sozinho, então parei. Fiquei sem graça de repente e logo em seguida uma felicidade inexplicável tomou conta de mim, levantei-me da cadeira, peguei minha pasta, dei um beijo duradouro em minha mãe e sai correndo para o trabalho.
É... Naquele dia eu estava realmente estranho porque ainda era sete horas da manhã e eu entrava as nove no serviço, gastava apenas trinta minutos da minha casa ao escritório. Parei no ponto de ônibus, cumprimentei todos que estavam ali e, logo veio meu ônibus, estava cheio e só restavam dois assento que certamente foram reservados para mim e minha pasta. Sentei-me. Logo o ônibus fizera uma parada, ah! Nunca mais esqueci aquela parada.
Uma bela garota de olhos claros, cabelos longos e loiros, entrara no coletivo, em toda a minha vida eu nunca havia visto alguém tão belo. Meus olhos, inexplicávelmente, fixaram-se naquela escultura humana. Havia um assento ao meu lado e rapidamente tirei a pasta e foi justamente nele que ela sentou, não trocamos uma só palavra, mas, foi inevitável que ficássemos nos olhando. Não acreditei que aquela garota estava olhando pra mim. E assim foi durante algumas semanas...

Sempre pegávamos o mesmo ônibus, sentávamos no mesmo banco, mas, descíamos em pontos diferentes e nunca trocamos uma só palavra. Eu sempre levava o número do meu telefone no bolso da camisa, mas, nunca tive coragem de lhe entregar, depois daquela manhã inesquecível meu desempenho no trabalho melhorou, passei a andar mais elegante, vivia sorrindo por qualquer coisa, eu estava apaixonado...
Não sei o por quê, mas, as garotas do meu trabalho passaram a me olhar diferente, me convidavam para coquetéis, festas, até convite para almoçar em suas casas eu recebia. Passei a odiar sábados domingo, e feriados.
Ah! Que maravilha foi aquele tempo. Eu não esquecia aquela garota um só minuto, pensava a todo instante naquele rostinho lindo e meigo, aquele perfume que muitas vezes me levara ao céu e, quando percebia que nunca poderia tê-la, este mesmo cheiro trazia-me o gosto amargo da realidade opressora, aquela roupa social que ela usava, aquele maravilhoso cabelo que o vento soprava em minha face... Que loucura!
Num belo dia chuvoso, eu bem vestido, como sempre, naquele assento frio do ônibus, com os cabelos bem penteados, o motorista fez uma de suas paradas, era a parada que eu mais gostava, lá vinha ela; com um rebolado sensacional, seus tamancos faziam um som no assoalho do ônibus que parecia acompanhar a batida do meu coração. Ao sentar-se ao meu lado a bolsa dela caiu e eu, rápido e preciso, baixei-me para pegá-la, ao entregar-lhe recebi um belo sorriso de gratidão, aquilo foi demais, eu também arreganhei um belo sorriso e ficamos nos olhando, cheguei a descer um ponto depois do que eu costumava descer só para contemplar um pouco mais a sua beleza.
No dia seguinte ela entrou e sorriu pra mim, meu coração galopou em meu peito, estufei-o e disse:
- Bom dia!
- Bom dia – respondeu ela muito sorridente.
Ai meu Deus! Aquele foi o “bom dia” mais gostoso que eu ouvi em toda minha vida, timidamente puxei conversa, ela muito tímida respondia somente o necessário, perguntei tudo que queria saber ao seu respeito, o melhor de tudo era que ela não tinha namorado, eu era o homem mais feliz do mundo, seria capaz de trocar tudo que conquistei ao longo dos anos por um beijo, ou até mesmo por um simples abraço, mas, tinha que me contentar apenas com a sua presença que, pra mim, já era o suficiente, mas, o suficiente não é e nunca será o bastante. Comentei com minha mãe e ela ficou super feliz por mim. Um certo dia eu resolvi esperar o ônibus até mais tarde para ver se conseguia voltar para casa com ela, mas, foi lamentável, esperei até às vinte horas e nada, fui para casa de táxi.
Numa sexta-feira anotei o número do meu telefone e estava disposto entregar poém, mais uma vez acabei não entregando, ela como sempre, toda simpática me deu um “bom dia” e, em seguida, perguntou o meu nome, eu respondi gaguejando, ela disse o seu sorrindo, criei coragem e pedi o seu telefone, ela fez uma carinha dócil, pôs suas mãos delicadas dentro da bolsa e me entregou um desses cartões de visitas, nossa! Que alegria eu senti naquele momento.
Noutro dia eu ligaria, mas, não sabia o que dizer, fiquei treinando, passei horas e horas andando pra lá e pra cá pensando o que dizer. Diria que estava apaixonado? Não, senão pensaria que estava mentindo, talvez pensaria que se eu estivesse realmente apaixonado já teria dito há muito tempo, deixei para ligar no outro dia e acabei não ligando também, resolvi que iria convidá-la para almoçar, ou quem sabe pegar um cinema, mas, não por telefone queria que ela soubesse o que eu estava sentindo olhando em seus olhos.
Na segunda-feira enchi o peito de coragem e decide que quando ela entrasse no ônibus e se sentasse eu diria tudo a ela, porém, naquele dia o motorista não parou onde ela costumava estar. Havia mais de meses que pegávamos ônibus juntos e ela nunca deu o cano no trabalho, aquele dia não foi tão legal fiquei pensando nela o dia inteiro. Cheguei em casa, corri para o meu quarto, peguei o telefone e liguei para sua casa:
- Alô!
- Quem ta falando –perguntou uma voz tristonha.
- É o Julio, poderia falar com a Paula, por favor?
- Você é o Julio que sempre pega o ônibus com ela –perguntou-me surpresa.
- Sim, senhora, ela está?
A senhora do outro lado da linha calou-se por alguns instantes e, engolindo a seco me disse:
- Julio, minha filha falou muito bem de você, disse-me que é um rapaz bonito, educado e que havia conquistado seu coração, me contou também que estava apaixonada por ti.
- Eu também estou apaixonado por ela –repliquei todo contente –e onde ela está, será que posso falar com ela?
- Não!
- Não, mas, por quê?
- Ela nos deixou... foi para um mundo melhor, sabe, Julio, talvez se você tivesse ligado antes e a convidado para ir ao cinema, ou quem sabe para jantarem juntos, ela não teria saído com as amigas e aquela bala perdida jamais teria atingido a minha filha...
Eu me desesperei. Senti-me culpado. Realmente não sabia o que fazer, não sabia se desligava o telefone ou se consolava a pobre senhora, mas ela com muita experiência de vida me propôs uma coisa que me tirou daquela saia justa:
- Filho, não se culpe pelo que aconteceu e vá se deitar porque eu já me conformei!
Em seguida desligou o telefone sem me dar direito de respostas, mas, também o que eu poderia dizer se também estava arrasado?

Mesmo com o passar do tempo eu não a esqueci, aonde vou penso naquele rostinho lindo, aquele sorriso iluminado, aquele perfume que nunca mais senti o cheiro. Hoje carrego nossos pequenos instantes juntos em meus pensamentos, porque o meu maior sofrimento é tentar fazer a cabeça esquecer aquilo que meu coração lembra a todo instantes...

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Marcos Lopes

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quero-te


Ao Feijão e à Renata; Que o Amor esteja sempre no coração de vocês.
Quero-te mais que tudo nesta vida... Desde que eu soube da tua existência, desde o primeiro Instante que vi seus olhos chamejarem alegria sob os meus, me apaixonei. Soube De imediato que tu serias o anjo que entraria em minha vida e transformaria Minha agonia em êxtase supremo. Quero que tu fiques ao meu lado mesmo Quando estivermos longe um do outro, mesmo que os dias sejam difíceis, Mesmo que não possamos nos ver todos os dias. Desejo que fiquemos juntos!

Quero que tu sejas o sol que alegra minhas manhãs solitárias, que tu sejas a Fonte de minha vitalidade e que sejas o porto seguro de minhas esperanças quando eu não tiver mais em nada.
Quero que o tempo passe, descomedidamente, depressa quando nossos corações estiverem distantes, para que quando nossas mãos se acharem no acaso da vida, juntinhos, possamos tocar as estrelas com o laço da felicidade que Unem nossas almas.
Quero tudo na vida, porém, quando a serenidade do teu olhar penetrar minha alma errante, apenas te quero.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ao Albert com Carinho


Ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa para qualquer um; tem que ter a flexibilidade do corpo e da mente trabalhando lado a lado o tempo todo, o olhar deve ser submisso e as atitudes devem ser moderadas. Pôr a mão no bolso pra sacar o documento que, supostamente deveria ser a identificação de cidadania, nem pensar, tentar comprar um colchão num dos maiores comerciantes do Brasil então... Nossa Senhora, é pedir pra morrer. Alberto era assim; preto, pobre, favelado e morava no Parque Santo Antônio. Era um menino de coração nobre, cresceu no meio da malandragem como tantas outras crianças, porém, nunca se envolveu, exceto quando era para aconselhar os manos para saírem daquela vida louca.
Embora tenha estudado muito, nunca parou para pensar em fazer um curso superior, dizia saber a importância do estudo, mas, para o que almejava na vida a Faculdade era dispensável, queria ser vendedor, ter sua própria loja e vivia dizendo que o mundo o conheceria, mas foi de uma forma triste... Quando as atitudes daquele homem covarde, que atirou contra o Alberto, foram questionadas, a resposta daquele que deveria servir seus cliente foi; a segurança é terceirizada. Agora, imaginem se um civil jogasse uma bomba naquele estabelecimento! Ele poderia alegar que a bomba também era terceirizada?
Alberto estava feliz em poder fazer um crediário e comprar um colchão, já que o que possuía estava velho demais, entretanto, não pôde levá-lo para casa, pois, a mão assassina e a mente incapaz de raciocinar, apertaram em cumplicidade, o gatilho vil que abreviou a vida daquele que somente queria comprar. Alberto caiu segurando, vitorioso, graças ao suor do seu rosto, a nota fiscal. Alberto não mais poderá ver seu sonho realizado, não poderá ver seu filho saltitar feliz em cima do colchão novo. No próximo mês a fatura chegará à sua mulher e se ela não pagar terá o seu nome inserido ao SPC e uma mulher chata ficará ligando todos os dias lhe cobrando a divida. A má capacitação e a desconfiança do segurança rondavam o menino que não ostentava no corpo uma grife de roupa famosa.
Talvez se Alberto estivesse com um terno “Ricardo Almeida”, seria carregado nos braços até a sobre-loja, seria bem recebido e até café lhe serviriam, mas, infelizmente, ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa fácil para qualquer um.

domingo, 12 de outubro de 2008

Zona de Guerra


Como se tudo na vida não fosse por acaso, o personagem central deste romance se vê angustiado quando a vida se bifurca e seus amigos pegam atalhos para chegar à satisfação pessoal do ego assolado pela sociedade repressora. Inconformado com a realidade em que vive tenta mudá-la de uma maneira inteligente, porém, o Sistema com o seu sistema de alienação o faz parar...

Em meados dos anos noventa, época em que o Parque Santo Antônio era considerado o bairro mais violento da zona sul de São Paulo, época, em que os profissionais da educação ainda amavam o que faziam e, que estudar, era gratificante, nasce um grupo de amigos que mudariam todo o contexto daquele bairro homicida.

O “Zona de Guerra” é a representação gráfica do que foi a violência naquele submundo esquecido por Deus. O livro ainda denuncia, em suas entrelinhas, o abandono daqueles que estão à margem e que são violentados em todos os seus direitos; o povo brasileiro. Vale a pena você aguardar para ler este intrigante romance nascido das reminiscência de Marcos Lopes , O Nene

Marcos Lopes

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sonhos


A vida só é real
quando nos apresentamos
Ao que antes er´irreal"
Jamais imaginei que um dia pudesse estar tão próximos dos meus heróis. Não me refiro a estes que vemos diariamente na tevê, estes que, na vida real, fogem quando ouvem o primeiro disparo de uma 380, ou quando vê uma criança esmolando fecham os vidros dos blindados. Não. Estes não são heróis nem de brinquedo. Me refiro a personagens reais como a Tia Dag e o Ferréz.
Nem Batman, sequer Super-man, tampouco Homem Aranha, imagine Juvenal Antena fazem, fariam, ou fizeram o que esses dois fizera por mim; apresentaram-me o caminho justo para não ser injusto como os hOMENS que pedem justiça.
Tia Dag e Ferréz são os meus heróis.
Marcos Lopes

Meus Heróis













Tia Dag e Ferréz, meus heróis. Ela me apresentou a oportunidade de ver, agir e mudar
Ele, indiretamente, me fez ler, estudar e crescer. Obrigado vocês sempre serão meus HERÓIS

terça-feira, 15 de abril de 2008

Queria dizer que te amo

Queria dizer que te amo

Queria dizer que te amo, que sem você eu não vivo.
Que tu és o amor eterno da minha vida, porém, estaria sendo leviano, não contigo, mas, comigo, pois, não sei se este sentimento ainda existe dentro de mim.
Refiro-me ao amor, pois, o outro sentimento que não sei descrever com palavras é verdadeiríssimo.
É um sentimento que vai além de das forças que dizem ter o amor, vai além da idealização de um rostinho bonito, vai além de querer olhar belas pernas e acariciar cabelos sedosos.
O que sinto por ti, aparentemente, é algo que os tolos chamariam de amor, os irracionais de paixão e os sábios sequer conseguiriam pôr, numa morta folha de papel, uma só palavra que aqui escrevo.
Os poetas chamariam de amor platônico.
Os eclesiásticos achariam que estou possuído e mandar-me-iam para a fogueira.
Meu coração emudece por não saber o que leva dentro dele.
Minha mente desatina por não mais saber diferenciar o Mau do Bom.
O Feio do Belo.
O Frio do Quente.
A Vida da Morte...
Se existir alguma palavra que substitua o majestoso amor, que os humanos julgam tão belo, mas, que pra mim só trouxe dor e sofrimento, vá em busca dela...
Só assim descobrirá o que sinto por ti, vá atrás da última estrela do céu e descubra se o que sinto por ti é amor ou uma mera ilusão.
Busque nos lábios de outrem os inocentes sorrisos que lhe dôo sem nada querer em troca, procure nos olhos mais sinceros a minha sinceridade, procure no olhar mais sereno o calor de minh´alma .
Se encontrares, serei abdicado da sua vida assim como será da minha, mas, sempre serei o seu sonho bom. Serei o calor que aquece seu corpo. Chorarei suas lágrimas e sorrirei os seus risos.

Queria dizer que te amo.
Mas este sentimento é fraco perto deste que nutro por ti.
O amor é apenas uma formiguinha correndo desesperadamente em busca de socorro e o que sinto por ti é um Leão em busca da sua presa favorita. Este sentimento voraz que me devora a alma não tem cor, nem cheiro e nem nome.
Talvez um dia o homem deveria conhecê-lo, assim, quem sabe, ele aprenderia a valorizar as pessoas como seres humanos assim como eu a valorizo.
Um rostinho bonito é a rosa que desabrocha na primavera. O amor morre no Outono e eu... Eu queria dizer que te amo.

O sentimento do homem é, por vezes, extremamente contraditório o que não explica a confusão que faz dentro de si ao confundir o “querer bem” com “amor” deixando-se levar pela brisa ilusória de querer compartilhar sua alma com a pessoa amada. Desculpe-me por não conseguir dizer...
Mas queria dizer que te amo.

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Marcos Lopes

terça-feira, 16 de junho de 2009


Marcos Lopes é a própria tradução da palavra superação. Vivia numa zona de guerra, a Zona Sul de São Paulo. Foi expulso da escola, avacalhado pela própria professora. Desceu ao fundo do poço, encontrou uma chance para sair de lá e o resultado está aí. segunda, as 19h, na Casa do Saber, no Jardim Europa paulistano, lançou o livro "Zona de Guerrra". Todos nós temos muito a aprender com a história dele, com quem tenho a alegria de conviver em eventos na Casa do Zezinho, onde hoje é colaborador. Estarei lá para pegar o autógrafo do cara. PS: Hoje, Marcos é colega de trabalho da professora que o desenganou para a vida. É professor na mesma escola que o havia rejeitado. Ao contrário de tantos outros que não suportaram a pressão e o descaso, contra tudo e contra todos, Lopes deu a volta por cima

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ironia da Paixão

À Bruna do Carmo, minha amiga.

Mais um dia de segunda-feira, o relógio despertou cedo era hora de ir para o trabalho, levantei-me da cama com uma ressaca danada; Domingo enchi a cara com os meus colegas, pois, fomos ao casamento de um amigo de infância. Fui para o banheiro e tomei um banho gostoso, estava animado, mas, não sabia o motivo de tanta animação, afinal, teria que trabalhar. Naquela manhã eu cantei, dancei, gritei, pulei, realmente estranhei meu comportamento. Tudo bem. Penteei os cabelos como nunca havia penteado, até uma fragrância francesa que nunca havia usado antes eu usei e coloquei minha melhor grava, sentei-me para o café da manhã, minha mãe também estranhou meu comportamento e chegou a perguntar se eu havia usado algum tipo de drogas na noite anterior, eu dei risada sozinho, então parei. Fiquei sem graça de repente e logo em seguida uma felicidade inexplicável tomou conta de mim, levantei-me da cadeira, peguei minha pasta, dei um beijo duradouro em minha mãe e sai correndo para o trabalho.
É... Naquele dia eu estava realmente estranho porque ainda era sete horas da manhã e eu entrava as nove no serviço, gastava apenas trinta minutos da minha casa ao escritório. Parei no ponto de ônibus, cumprimentei todos que estavam ali e, logo veio meu ônibus, estava cheio e só restavam dois assento que certamente foram reservados para mim e minha pasta. Sentei-me. Logo o ônibus fizera uma parada, ah! Nunca mais esqueci aquela parada.
Uma bela garota de olhos claros, cabelos longos e loiros, entrara no coletivo, em toda a minha vida eu nunca havia visto alguém tão belo. Meus olhos, inexplicávelmente, fixaram-se naquela escultura humana. Havia um assento ao meu lado e rapidamente tirei a pasta e foi justamente nele que ela sentou, não trocamos uma só palavra, mas, foi inevitável que ficássemos nos olhando. Não acreditei que aquela garota estava olhando pra mim. E assim foi durante algumas semanas...

Sempre pegávamos o mesmo ônibus, sentávamos no mesmo banco, mas, descíamos em pontos diferentes e nunca trocamos uma só palavra. Eu sempre levava o número do meu telefone no bolso da camisa, mas, nunca tive coragem de lhe entregar, depois daquela manhã inesquecível meu desempenho no trabalho melhorou, passei a andar mais elegante, vivia sorrindo por qualquer coisa, eu estava apaixonado...
Não sei o por quê, mas, as garotas do meu trabalho passaram a me olhar diferente, me convidavam para coquetéis, festas, até convite para almoçar em suas casas eu recebia. Passei a odiar sábados domingo, e feriados.
Ah! Que maravilha foi aquele tempo. Eu não esquecia aquela garota um só minuto, pensava a todo instante naquele rostinho lindo e meigo, aquele perfume que muitas vezes me levara ao céu e, quando percebia que nunca poderia tê-la, este mesmo cheiro trazia-me o gosto amargo da realidade opressora, aquela roupa social que ela usava, aquele maravilhoso cabelo que o vento soprava em minha face... Que loucura!
Num belo dia chuvoso, eu bem vestido, como sempre, naquele assento frio do ônibus, com os cabelos bem penteados, o motorista fez uma de suas paradas, era a parada que eu mais gostava, lá vinha ela; com um rebolado sensacional, seus tamancos faziam um som no assoalho do ônibus que parecia acompanhar a batida do meu coração. Ao sentar-se ao meu lado a bolsa dela caiu e eu, rápido e preciso, baixei-me para pegá-la, ao entregar-lhe recebi um belo sorriso de gratidão, aquilo foi demais, eu também arreganhei um belo sorriso e ficamos nos olhando, cheguei a descer um ponto depois do que eu costumava descer só para contemplar um pouco mais a sua beleza.
No dia seguinte ela entrou e sorriu pra mim, meu coração galopou em meu peito, estufei-o e disse:
- Bom dia!
- Bom dia – respondeu ela muito sorridente.
Ai meu Deus! Aquele foi o “bom dia” mais gostoso que eu ouvi em toda minha vida, timidamente puxei conversa, ela muito tímida respondia somente o necessário, perguntei tudo que queria saber ao seu respeito, o melhor de tudo era que ela não tinha namorado, eu era o homem mais feliz do mundo, seria capaz de trocar tudo que conquistei ao longo dos anos por um beijo, ou até mesmo por um simples abraço, mas, tinha que me contentar apenas com a sua presença que, pra mim, já era o suficiente, mas, o suficiente não é e nunca será o bastante. Comentei com minha mãe e ela ficou super feliz por mim. Um certo dia eu resolvi esperar o ônibus até mais tarde para ver se conseguia voltar para casa com ela, mas, foi lamentável, esperei até às vinte horas e nada, fui para casa de táxi.
Numa sexta-feira anotei o número do meu telefone e estava disposto entregar poém, mais uma vez acabei não entregando, ela como sempre, toda simpática me deu um “bom dia” e, em seguida, perguntou o meu nome, eu respondi gaguejando, ela disse o seu sorrindo, criei coragem e pedi o seu telefone, ela fez uma carinha dócil, pôs suas mãos delicadas dentro da bolsa e me entregou um desses cartões de visitas, nossa! Que alegria eu senti naquele momento.
Noutro dia eu ligaria, mas, não sabia o que dizer, fiquei treinando, passei horas e horas andando pra lá e pra cá pensando o que dizer. Diria que estava apaixonado? Não, senão pensaria que estava mentindo, talvez pensaria que se eu estivesse realmente apaixonado já teria dito há muito tempo, deixei para ligar no outro dia e acabei não ligando também, resolvi que iria convidá-la para almoçar, ou quem sabe pegar um cinema, mas, não por telefone queria que ela soubesse o que eu estava sentindo olhando em seus olhos.
Na segunda-feira enchi o peito de coragem e decide que quando ela entrasse no ônibus e se sentasse eu diria tudo a ela, porém, naquele dia o motorista não parou onde ela costumava estar. Havia mais de meses que pegávamos ônibus juntos e ela nunca deu o cano no trabalho, aquele dia não foi tão legal fiquei pensando nela o dia inteiro. Cheguei em casa, corri para o meu quarto, peguei o telefone e liguei para sua casa:
- Alô!
- Quem ta falando –perguntou uma voz tristonha.
- É o Julio, poderia falar com a Paula, por favor?
- Você é o Julio que sempre pega o ônibus com ela –perguntou-me surpresa.
- Sim, senhora, ela está?
A senhora do outro lado da linha calou-se por alguns instantes e, engolindo a seco me disse:
- Julio, minha filha falou muito bem de você, disse-me que é um rapaz bonito, educado e que havia conquistado seu coração, me contou também que estava apaixonada por ti.
- Eu também estou apaixonado por ela –repliquei todo contente –e onde ela está, será que posso falar com ela?
- Não!
- Não, mas, por quê?
- Ela nos deixou... foi para um mundo melhor, sabe, Julio, talvez se você tivesse ligado antes e a convidado para ir ao cinema, ou quem sabe para jantarem juntos, ela não teria saído com as amigas e aquela bala perdida jamais teria atingido a minha filha...
Eu me desesperei. Senti-me culpado. Realmente não sabia o que fazer, não sabia se desligava o telefone ou se consolava a pobre senhora, mas ela com muita experiência de vida me propôs uma coisa que me tirou daquela saia justa:
- Filho, não se culpe pelo que aconteceu e vá se deitar porque eu já me conformei!
Em seguida desligou o telefone sem me dar direito de respostas, mas, também o que eu poderia dizer se também estava arrasado?

Mesmo com o passar do tempo eu não a esqueci, aonde vou penso naquele rostinho lindo, aquele sorriso iluminado, aquele perfume que nunca mais senti o cheiro. Hoje carrego nossos pequenos instantes juntos em meus pensamentos, porque o meu maior sofrimento é tentar fazer a cabeça esquecer aquilo que meu coração lembra a todo instantes...

By

Marcos Lopes

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quero-te


Ao Feijão e à Renata; Que o Amor esteja sempre no coração de vocês.
Quero-te mais que tudo nesta vida... Desde que eu soube da tua existência, desde o primeiro Instante que vi seus olhos chamejarem alegria sob os meus, me apaixonei. Soube De imediato que tu serias o anjo que entraria em minha vida e transformaria Minha agonia em êxtase supremo. Quero que tu fiques ao meu lado mesmo Quando estivermos longe um do outro, mesmo que os dias sejam difíceis, Mesmo que não possamos nos ver todos os dias. Desejo que fiquemos juntos!

Quero que tu sejas o sol que alegra minhas manhãs solitárias, que tu sejas a Fonte de minha vitalidade e que sejas o porto seguro de minhas esperanças quando eu não tiver mais em nada.
Quero que o tempo passe, descomedidamente, depressa quando nossos corações estiverem distantes, para que quando nossas mãos se acharem no acaso da vida, juntinhos, possamos tocar as estrelas com o laço da felicidade que Unem nossas almas.
Quero tudo na vida, porém, quando a serenidade do teu olhar penetrar minha alma errante, apenas te quero.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ao Albert com Carinho


Ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa para qualquer um; tem que ter a flexibilidade do corpo e da mente trabalhando lado a lado o tempo todo, o olhar deve ser submisso e as atitudes devem ser moderadas. Pôr a mão no bolso pra sacar o documento que, supostamente deveria ser a identificação de cidadania, nem pensar, tentar comprar um colchão num dos maiores comerciantes do Brasil então... Nossa Senhora, é pedir pra morrer. Alberto era assim; preto, pobre, favelado e morava no Parque Santo Antônio. Era um menino de coração nobre, cresceu no meio da malandragem como tantas outras crianças, porém, nunca se envolveu, exceto quando era para aconselhar os manos para saírem daquela vida louca.
Embora tenha estudado muito, nunca parou para pensar em fazer um curso superior, dizia saber a importância do estudo, mas, para o que almejava na vida a Faculdade era dispensável, queria ser vendedor, ter sua própria loja e vivia dizendo que o mundo o conheceria, mas foi de uma forma triste... Quando as atitudes daquele homem covarde, que atirou contra o Alberto, foram questionadas, a resposta daquele que deveria servir seus cliente foi; a segurança é terceirizada. Agora, imaginem se um civil jogasse uma bomba naquele estabelecimento! Ele poderia alegar que a bomba também era terceirizada?
Alberto estava feliz em poder fazer um crediário e comprar um colchão, já que o que possuía estava velho demais, entretanto, não pôde levá-lo para casa, pois, a mão assassina e a mente incapaz de raciocinar, apertaram em cumplicidade, o gatilho vil que abreviou a vida daquele que somente queria comprar. Alberto caiu segurando, vitorioso, graças ao suor do seu rosto, a nota fiscal. Alberto não mais poderá ver seu sonho realizado, não poderá ver seu filho saltitar feliz em cima do colchão novo. No próximo mês a fatura chegará à sua mulher e se ela não pagar terá o seu nome inserido ao SPC e uma mulher chata ficará ligando todos os dias lhe cobrando a divida. A má capacitação e a desconfiança do segurança rondavam o menino que não ostentava no corpo uma grife de roupa famosa.
Talvez se Alberto estivesse com um terno “Ricardo Almeida”, seria carregado nos braços até a sobre-loja, seria bem recebido e até café lhe serviriam, mas, infelizmente, ser pobre, preto e favelado deste lado de cá da ponte não é tarefa fácil para qualquer um.

domingo, 12 de outubro de 2008

Zona de Guerra


Como se tudo na vida não fosse por acaso, o personagem central deste romance se vê angustiado quando a vida se bifurca e seus amigos pegam atalhos para chegar à satisfação pessoal do ego assolado pela sociedade repressora. Inconformado com a realidade em que vive tenta mudá-la de uma maneira inteligente, porém, o Sistema com o seu sistema de alienação o faz parar...

Em meados dos anos noventa, época em que o Parque Santo Antônio era considerado o bairro mais violento da zona sul de São Paulo, época, em que os profissionais da educação ainda amavam o que faziam e, que estudar, era gratificante, nasce um grupo de amigos que mudariam todo o contexto daquele bairro homicida.

O “Zona de Guerra” é a representação gráfica do que foi a violência naquele submundo esquecido por Deus. O livro ainda denuncia, em suas entrelinhas, o abandono daqueles que estão à margem e que são violentados em todos os seus direitos; o povo brasileiro. Vale a pena você aguardar para ler este intrigante romance nascido das reminiscência de Marcos Lopes , O Nene

Marcos Lopes

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sonhos


A vida só é real
quando nos apresentamos
Ao que antes er´irreal"
Jamais imaginei que um dia pudesse estar tão próximos dos meus heróis. Não me refiro a estes que vemos diariamente na tevê, estes que, na vida real, fogem quando ouvem o primeiro disparo de uma 380, ou quando vê uma criança esmolando fecham os vidros dos blindados. Não. Estes não são heróis nem de brinquedo. Me refiro a personagens reais como a Tia Dag e o Ferréz.
Nem Batman, sequer Super-man, tampouco Homem Aranha, imagine Juvenal Antena fazem, fariam, ou fizeram o que esses dois fizera por mim; apresentaram-me o caminho justo para não ser injusto como os hOMENS que pedem justiça.
Tia Dag e Ferréz são os meus heróis.
Marcos Lopes

Meus Heróis













Tia Dag e Ferréz, meus heróis. Ela me apresentou a oportunidade de ver, agir e mudar
Ele, indiretamente, me fez ler, estudar e crescer. Obrigado vocês sempre serão meus HERÓIS

terça-feira, 15 de abril de 2008

Queria dizer que te amo

Queria dizer que te amo

Queria dizer que te amo, que sem você eu não vivo.
Que tu és o amor eterno da minha vida, porém, estaria sendo leviano, não contigo, mas, comigo, pois, não sei se este sentimento ainda existe dentro de mim.
Refiro-me ao amor, pois, o outro sentimento que não sei descrever com palavras é verdadeiríssimo.
É um sentimento que vai além de das forças que dizem ter o amor, vai além da idealização de um rostinho bonito, vai além de querer olhar belas pernas e acariciar cabelos sedosos.
O que sinto por ti, aparentemente, é algo que os tolos chamariam de amor, os irracionais de paixão e os sábios sequer conseguiriam pôr, numa morta folha de papel, uma só palavra que aqui escrevo.
Os poetas chamariam de amor platônico.
Os eclesiásticos achariam que estou possuído e mandar-me-iam para a fogueira.
Meu coração emudece por não saber o que leva dentro dele.
Minha mente desatina por não mais saber diferenciar o Mau do Bom.
O Feio do Belo.
O Frio do Quente.
A Vida da Morte...
Se existir alguma palavra que substitua o majestoso amor, que os humanos julgam tão belo, mas, que pra mim só trouxe dor e sofrimento, vá em busca dela...
Só assim descobrirá o que sinto por ti, vá atrás da última estrela do céu e descubra se o que sinto por ti é amor ou uma mera ilusão.
Busque nos lábios de outrem os inocentes sorrisos que lhe dôo sem nada querer em troca, procure nos olhos mais sinceros a minha sinceridade, procure no olhar mais sereno o calor de minh´alma .
Se encontrares, serei abdicado da sua vida assim como será da minha, mas, sempre serei o seu sonho bom. Serei o calor que aquece seu corpo. Chorarei suas lágrimas e sorrirei os seus risos.

Queria dizer que te amo.
Mas este sentimento é fraco perto deste que nutro por ti.
O amor é apenas uma formiguinha correndo desesperadamente em busca de socorro e o que sinto por ti é um Leão em busca da sua presa favorita. Este sentimento voraz que me devora a alma não tem cor, nem cheiro e nem nome.
Talvez um dia o homem deveria conhecê-lo, assim, quem sabe, ele aprenderia a valorizar as pessoas como seres humanos assim como eu a valorizo.
Um rostinho bonito é a rosa que desabrocha na primavera. O amor morre no Outono e eu... Eu queria dizer que te amo.

O sentimento do homem é, por vezes, extremamente contraditório o que não explica a confusão que faz dentro de si ao confundir o “querer bem” com “amor” deixando-se levar pela brisa ilusória de querer compartilhar sua alma com a pessoa amada. Desculpe-me por não conseguir dizer...
Mas queria dizer que te amo.

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Marcos Lopes